Metáfora patética esta que os poetas fazem com as rosas.

Metáfora patética esta que os poetas fazem com as rosas.
Esta mania desavisada de dizer que as rosas,
as estrelas, a lua, o sol e todas as coisas significam algo.
Que significado tem uma rosa feia?
Que sentido excepcional tem o brilho das estrelas?
Por que proclamam a lua cheia sua musa
se a lua é a mesma todos os dias?


Vi, numa tarde ociosa,
como todas as tardes,
uma rosa feia ao pé da estrada.

(uma vez, disse um poeta,
que nas rosas feias enxergava um suspiro fatal
que anunciava o fim de tudo)

Mas eu não enxergava nada disso.
A rosa: pétalas miúdas, caule raquítico.
Mas que por serem pétalas e caule,
e estarem embutidos de uma mecânica inerte de Xilema e Floema,
ainda era chamada de rosa e declarada viva.

Ah! Que mecânica inútil é esta que nos faz chamar algo de vivo ou morto?
Na planta, incansável mania de Xilema e Floema.
No homem, trabalho fadigado de glóbulos vermelhos,
brancos, azuis e amarelos!

Eu não me importo. Onde nisso encontro metafísica?
Senão, apenas, mecânica inerte que pulsa no peito por ação e reação!
Se ao menos dissessem que a metafísica se aloja na dinâmica sublime dos neurônios…

O que penso eu da rosa feia?
Penso que é uma rosa e que é feia.
Se fosse algo mais, não seria rosa,
seria invenção.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s