a mais pura dinâmica da percepção da dor como distração

uma nova onda de mutilação instaura-se quando a consciência de si e de tudo convoca-se ao ápice.
a mais pura dinâmica da percepção da dor como distração, escapismo da realidade, é alcançada como conclusão lógica de qualquer ação do cotidiano.
explico.
quando repetidamente tanto se tenta, nada se consegue e tanto se perde, não há quaisquer razões lógicas ou metafísicas para persistir em sentir as dores mundanas dos acasos e rotinas mundanas.
por isso o sangue nos lençóis, por isso os curativos, por isso as desculpas.

as coxas cortadas excitam parte de meu cérebro que correntemente são dominadas pelo tédio;
os arranhões em meu rosto me permitem acordar e me apresentar de forma diferente da minha tediosa expressão de ontem;
o meu peito marcado de sangue sujeita-me a aceitar que em meu torso ainda funcionam complexos órgãos a despeito de todo tédio, sofrimento, renúncia e arbitrariedades;
as frestas em meus braços lembram-me que em minhas veias ainda pulsa sangue.

é difícil entender, mas tente
tente, por uma vez
tente desta vez

melancolia por um mês,
melancolia mais uma vez.
esquizofrenia aparente,

loucura consciente.

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