Chamo de lágrimas as gotas inúteis

Chamo de lágrimas
as gotas inúteis
que caem das nuvens
e afogam o céu.

E escorrem nos muros,
muros de pedra,
que separam espaços
que dividem abraços
que destroem os laços
e expõe os fracassos.

Sei que por vezes sonhas com relvas,
onde habitas cada espaço,
e todos os espaços são teus.

Mas os sonhos são poemas
escritos por criança,
interpretados com descrença,
esquecidos na dispensa.

E então o homem se fez fracasso:
inventou novos pecados,
fez dos semelhantes seus escravos,
sabotou seus próprios passos.


Não chores, meu rapaz,
tu és apenas réu primário
de um mundo precário
– o mundo é esperto,
nos tortura desde feto,
nos caduca até a morte,
sem nos dar a chance de ser forte.

Já devias saber que a vida é isso:
é viver pra querer morrer,
e morrer sem saber porque viveu.

(24/10/2015)

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